Strangers From Hell: Vizinhos que Ninguém Pediu

Strangers From Hell: Vizinhos que Ninguém Pediu

Strangers From Hell [RESENHA]

Cena tensa de "Strangers From Hell" com Yoon Jong-Woo olhando desconfiado para os vizinhos.

Título original: 타인은 지옥이다 (Taineun Jiogida)
Direção: Lee Chang-hee
Episódios: 10
Temporada: 1
Ano: 2019
Classificação:
Gênero: Thriller Psicológico, Horror, Mistério​

 

Strangers From Hell é daquele tipo de dorama que começa com algo bem simples — um cara do interior indo tentar a vida em Seul — e, sem você perceber, vira uma descida lenta e sufocante para um lugar onde nada parece normal. A história acompanha o Yoon Jong-woo, um jovem na casa dos 20 que chega a Seul para tentar uma vida melhor, ele descobre rapidinho que a capital não é nada acolhedora com quem não tem dinheiro. Sem grana para morar num lugar decente, ele acaba alugando um quarto minúsculo no Eden Studio, uma pensão velha, sombria e com um clima que já diz “sai daqui”. O corredor é escuro, as paredes são finas e os moradores… bem, os moradores parecem todos ter algo de errado.

O clima do drama é todo construído em cima dos moradores desse lugar. Ninguém ali parece exatamente “ok”. Tem a dona da pensão, que age como uma tia atenciosa mas tem um olhar de quem sabe mais do que diz; tem os gêmeos estranhíssimos que vivem rondando; tem o vizinho que assiste coisas esquisitas; e, principalmente, tem o Seo Moon-jo, o dentista elegante que mora na porta ao lado e que, à primeira vista, é o único sujeito normal daquele prédio — educado, tranquilo, até prestativo. Mas o drama já te avisa de cara: nesse lugar, quanto mais normal a pessoa parece, mais você deveria desconfiar.

O legal é que a série não joga susto gratuito. O terror aqui é psicológico. É aquele incômodo de corredor vazio, de passos à noite, de gente que fica te olhando tempo demais no refeitório comunitário. Jong-woo começa tentando agir de forma racional: “vou aguentar umas semanas, juntar dinheiro e sair”. Só que o prédio não deixa. Coisas pequenas vão acontecendo — barulhos, sumiços, moradores aparecendo onde não deviam, atitudes invasivas — e ele começa a duvidar de si mesmo. O trabalho dele em Seul também não é esse sonho todo, então ele fica cada vez mais isolado, e o isolamento é justamente o que a pensão parece querer.

Outra coisa boa é que o drama brinca com a ideia de que “o inferno são os outros” mesmo: não é um fantasma, não é uma maldição antiga, é gente. Gente bizarra, gente controladora, gente que observa. E o protagonista está preso ali porque é pobre, porque precisa do emprego, porque não conhece a cidade — essa parte deixa tudo muito crível. Qualquer um de nós, sem grana, poderia ter caído na mesma. E conforme ele tenta pedir ajuda ou contar o que está vendo, as pessoas de fora acham que ele está exagerando, estressado com a mudança. Isso deixa o clima mais sufocante, porque a gente, que está assistindo, sabe que tem algo MUITO errado ali, mas ninguém acredita nele.

É então que o dorama começa a brincar com a ideia central: e se o mal não está só nas pessoas estranhas, mas também dentro de alguém comum? Moon-jo, em especial, parece enxergar esse lado escondido em Jong-woo. Ele observa, provoca, manipula e, pouco a pouco, vai empurrando o protagonista para o limite, como se quisesse mostrar que qualquer pessoa pode se tornar um monstro se for colocada no ambiente certo.

Com o tempo, Jong-woo vai ficando mais paranoico, agressivo e instável. O que começou como medo passa a ser raiva. E o Eden Studio, que já era assustador por causa dos moradores, vai se revelando como um lugar onde a maldade é quase natural — um espaço feito para gente que não se encaixa na sociedade e encontra ali liberdade para fazer o pior.

Vou segurar as reviravoltas porque elas são a graça do dorama, mas dá pra dizer assim: a partir do momento em que Jong-woo entende quem realmente está mandando naquele lugar e o que acontece com quem tenta sair, o tom muda de “isso tá estranho” para “isso é perigoso”. E é aí que o suspense dispara e você assiste no modo maratona. Se você gosta de história de gente esquisita, ambiente claustrofóbico e aquela sensação de “eu também não conseguiria dormir nesse quarto”, Strangers From Hell entrega tudo isso.

 

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