Resenha de Minha melhor parte [RESENHA]

Winnifred McNutty, ou Win, para os íntimos, é uma garota independente, que sempre lutou pelo que acredita e jamais se sentiu limitada por ter uma deficiência em uma das mãos.
Em uma festa de Halloween, ela conhece Bo ― um cara gato, engraçado, divertido e muito sexy. A atração entre eles é instantânea e Win tem a melhor ficada da sua vida, mas decide não procurar mais por ele. Afinal, Bo também é uma pessoa com deficiência e tudo o que Win não quer é dar mais motivos para que os outros se metam em sua vida com ideias capacitistas.
Até que, semanas depois, Win descobre que está grávida. Desesperada, ela decide procurar Bo, que fica surpreendentemente empolgado com a notícia enquanto Win perde o sono sem saber se está pronta para assumir essa imensa responsabilidade.
Assim, os dois embarcam em uma nova e desafiadora jornada apenas como bons amigos e descobrem as dores e as delícias de esperar por uma criança. Só que a química entre eles é inevitável, e esse plano parece estar prestes a ir por água abaixo quando os sentimentos começam a falar mais alto.
Alerta de gatilho/conteúdo: Gravidez inesperada, capacitismo, representação de PCDs (Pessoa com Deficiência) e romance fofo/sexy.
Minha Melhor Parte, de Hannah Bonam-Young, acompanha Win, uma protagonista sarcástica, direta e independente, que nasceu com uma desigualdade de membros — a mão direita menos desenvolvida — e aprendeu desde cedo a não deixar que isso a defina, mesmo que o mundo insista em enxergá-la primeiro pela deficiência. Win vive bem com sua rotina simples, evitando relacionamentos sérios depois de um passado emocionalmente difícil. Para ela, depender de alguém, seja emocional ou fisicamente, sempre pareceu arriscado demais.
Bo entra como o contraponto perfeito. Alto, gentil, engraçado na medida certa… e com uma perna protética. O encontro entre os dois é leve, cheio de provocações, química imediata e, principalmente, uma sensação rara de reconhecimento mútuo. Eles não se olham com pena ou curiosidade desconfortável, mas com interesse real. O que começa como uma noite casual acaba se tornando algo muito mais intenso do que ambos esperavam.
Depois dessa noite, Win descobre que está grávida — e aqui a história muda de ritmo. O susto é enorme, o medo vem com tudo e, junto dele, surgem inseguranças profundas: será que ela consegue ser mãe? Será que seu corpo é suficiente? Será que aceitar ajuda não a torna fraca? A narrativa aborda essas dúvidas com muita honestidade, inclusive quando Win considera não seguir com a gravidez. No fim, ela decide continuar, mas sem romantizar o processo.
Bo surpreende ao não fugir, não pressionar e não tentar “salvar” Win. Ele simplesmente fica. Apoia, escuta, aprende e também enfrenta seus próprios fantasmas, ligados ao acidente que mudou sua vida e à perda da perna. Ele carrega o medo de falhar e de não ser suficiente, mas ainda assim escolhe tentar.
Agora, preciso falar da inclusão, porque pra mim esse é o grande diferencial do livro. A deficiência de Win e a prótese de Bo são tratadas de forma extremamente humana. Nada de coitadismo ou lição de moral. As dificuldades existem — inclusive na intimidade —, mas eles continuam sendo desejáveis, engraçados e completos. Isso deixou tudo muito mais real.
Win me conquistou fácil, com seu humor ácido e independência, mesmo cheia de feridas. Bo foi uma surpresa: calmo, atencioso e absurdamente respeitoso. Não vou mentir, me apaixonei um pouco por ele. Minha única ressalva é que senti falta da narração do Bo para aprofundar ainda mais seus sentimentos, já que tudo é visto apenas pelos olhos da Win.
A química entre eles é absurda, e a relação se constrói devagar, entre consultas médicas, conversas difíceis e pequenos gestos de carinho. A escrita é fluida, moderna e passa voando. No fim, o livro entrega o que promete e deixa aquele sorrisinho bobo. Recomendo muito para quem ama romances com representação, personagens diversos e histórias que aquecem e apimentam na mesma medida.
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